Baterias Automotivas: Os riscos de usa-las em aplicações estacionárias

Baterias Automotivas: Os riscos de usa-las em aplicações estacionárias

Um dos erros mais comuns encontrados em instalações é o uso de baterias automotivas (de partida) em sistemas estacionários que utilizam baterias, como nobreaks, retificadores e sistemas fotovoltaicos.

Nesse artigo vamos verificar quais os impactos dessa adaptação e estudar as diferenças construtivas entre os dois tipos de baterias.

Primeiramente cabe definirmos quais as diferenças entre os tipos de aplicações:

Aplicações automotivas (regime de partida)

Nestas aplicações estão incluídas as baterias utilizadas em veículos automotores para partida da ignição e também baterias para partida de moto grupo geradores.

Estes regimes são definidos como de partida pois o propósito e projeto da bateria é apenas fornecer a energia necessária para garantir o funcionamento do motor de partida e, após isso, o alternador e sistema de retificador destes motores é quem assume a carga elétrica do equipamento e recarrega as baterias.

Sendo assim, a bateria foi projetada para uso em picos de corrente por apenas alguns segundos.

Aplicações estacionárias (regime de flutuação)

Nestas aplicações estão incluídas as baterias utilizadas em equipamentos estacionários onde a bateria é a fonte de energia de backup, ou seja, a rede elétrica alimenta permanentemente o equipamento, mantendo as baterias carregadas e elas são requeridas apenas no caso de falta de energia da rede.

Como exemplos podemos citar os nobreaks, sistemas de alarme, iluminação de emergência e sistemas de telecomunicação. Estes regimes são definidos como de flutuação pois a bateria passa 24 horas por dia em carga contínua de flutuação pelo carregador do sistema.

Quando solicitada, a bateria fornece energia de modo constante até a tensão de corte definida no equipamento. Sendo assim, uma bateria estacionária pode, durante a sua vida, sofrer diversos ciclos completos de carga e descarga, sendo projetada para suportar estes ciclos.

Quando utilizamos uma bateria projetada para uma finalidade em outra aplicação estamos colocando em risco toda a confiabilidade do sistema. Vamos entender as causas e razões para isso.

Baterias automotivas utilizadas em aplicações estacionárias

Como citamos antes, uma bateria automotiva tem apenas o propósito fornecer a energia necessária para partir um motor.

Para obter esse desempenho de fornecer altas correntes por curtos períodos de tempo uma bateria automotiva é construída com um grande número de placas em suas células, pois é na superfície da placa onde ocorrem as reações químicas que geram a corrente elétrica e, portanto, quanto mais placas, maior a corrente que a bateria consegue fornecer.

Em contrapartida, a espessura das placas é reduzida, de forma a acomodar dentro do vaso o maior número de placas da bateria. Com isso, quando uma bateria automotiva é utilizada em aplicações estacionárias, como por exemplo em um nobreak, ela é submetida a uma descarga profunda, ou seja, quase todo ou grande parte de seus Ah é retirado durante a descarga.

Para suportar descargas profundas, uma bateria precisar ter placas grossas, pois a reação química ocorre da superfície para o interior da placa e, portanto, no caso de baterias automotivas que possui placas finas, ela não apresenta essa característica e terá suas placas degradadas em caso de descargas profundas.

Por isso é comum que baterias automotivas, quando usadas por exemplo em nobreaks, apresentem uma vida útil tão curta, como 1 ou 2 anos.

Baterias estacionárias utilizadas em aplicações automotivas

Da mesma forma, quando utilizamos uma bateria estacionária, que possui um número menor de placas, porém de maior espessura, para partir um motor de um veículo, é solicitado da bateria um valor de corrente muito elevado, o qual ela não é capaz de fornecer devido ao menor número de placas, resultando numa queda abrupta da tensão da bateria para valores muito baixos, que irá causar o apagamento momentâneo das luzes, podendo até desligar o rádio do carro.

Além disso, como a bateria não foi projetada para altas correntes de partida, poderá ocorrer o rompimento de soldas internas devido ao aquecimento gerado pelas altas correntes.

Como pudemos verificar acima, cada bateria foi concebida com um propósito e, quando utilizamos a bateria inadequada em nossa instalação, podemos colocar em risco toda a confiabilidade do sistema.

Por isso não existe a bateria perfeita para todas as aplicações, existe a bateria correta e projetada para cada tipo de uso.

Vale lembrar ainda que utilizar as baterias na aplicação para qual ela não foi projetada causa a perda da garantia por todos os fabricantes.

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